Inaugurando 2014

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(ensaio de “À Queima-Roupa” por Lucas Mayor)

Tive muito pouco tempo pra me dedicar por aqui. O ano de 2013 foi difícil em quase todas as áreas que trabalho. No Teatro, não, tudo du caralho, a não ser a imensa perda do meu irmão Paulo de Tharso. Uma sacanagem, uma grande sacanagem. “O Inferno em Mim” e “Borrasca”, do meu amigo Mário Bortolotto, e ainda, a imortal “Querência” do gigante Cornélio Pires me ajudaram a tocar a tristeza meio que pra um pouco mais longe de mim. E agora, em 2014, veio a estreia (já no terceiro dia do ano novo) de “À Queima-Roupa” do, sempre ele, o impressionante amigo e irmão Mário Bortolotto. Bom demais fazer parte desse elenco e técnica fudidos de ótimos de se trabalhar. Em outra hora, boto aqui a ficha técnica mais detalhada. Por enquanto, vai o link das imagens capturadas por mais uma figura gigante do teatro brasileiro, a Lenise Pinheiro da Folha de São Paulo, através do seu blog Cacilda:

http://cacilda.blogfolha.uol.com.br/2014/01/05/a-queima-roupa/

Um pouco de Cornélio Pires…

O Beijo

Um dia eu vi meu bem, junto do altar,

chegar-se ao Cristo nu crucificado

e aos seus pés frios beijos dar…

Em isso vendo, eu fui muito apressado

e sobre os pés de Deus, ali, curvado,

com a boca colada no lugar

Em que meu bem havia então beijado,

os pés do Cristo nu pus-me a beijar,

cheio de afeto e cheio de respeito.

Depois eu me retirei satisfeito

por me ter parecido aquele ensejo…

Pensaram que eu beijei os pés do Cristo

as pessoas que ali me tinham visto…

Mas não beijei os pés… beijei o beijo!

 

CORNÉLIO PIRES

(última cena da peça Querência)