Depoimentos

Ademir Muniz
Jornalista
05/09/2007

“… O ator Nelson Peres não abandonou sua Querência, sorte nossa. Sorte de quem assistiu, sorte de quem ainda não teve o prazer de assistir. O texto é baseado na obra do escritor regionalista Cornélio Pires, um dos nomes mais importantes da literatura paulista, onde retrata a linguagem e o modo de vida caipira. O Nelsinho teve a manha, junto com Roberto de Lima, de desenvolver um longo estudo dos escritos de Cornélio, o que resultou o fabuloso e sublime espetáculo Querência…”

Pierre Massato
Poeta e escritor – http://speakeasiesjukebox.blogspot.com
22/11/2006

“Finalmente consegui ver o monólogo com o Nelson Peres. Baseado em vários escritos do Cornélio Pires, ele me contou depois do espetáculo que tem mais de 10 anos que encenou a primeira vez esse monólogo. O universo do Cornélio é o interior do estado, com seu misticismo caboclo, sua evocação da natureza e da vida bucólica. Dentro da minha visão urbana, sou admirador de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, fiquei encantado com a poética rústica do autor. O Nelsinho, grande ator que é, nos transporta com desenvoltura para dentro das estórias dos caboclos, com o auxilio luxuoso da viola do Pedro Aronchi. No fim aquela lembrança do cheiro da terra molhada depois da chuva, um gosto de jaboticaba na boca e a doces lembranças das fogueiras de São João”. Um Grande Ator, Um Puta Guitarrista e o lirismo fudido do Cornélio Pires.Só falta você na platéia – 30/08/2007. Não é todo dia que você vê um Ator desse quilate em cena. Obrigatório – 02/08/2007

Sergio Mello
Poeta e escritor – http://espelhotrincado.blogspot.com
30/08/2007

“Cara, você já viu isso? Então vá, hoje é o último dia. Às vezes me sinto incapaz de escrever sobre algumas coisas. Quando vi a peça do Ivam Cabral (Faz de conta que tem sol lá fora, que já encerrou temporada) aconteceu o mesmo. Por quê? Talvez porque de vez em quando algumas pessoas me surpreendam com uma honestidade brutal, não sei; uma honestidade instantânea, nem cálculos nem vergonha. Aí fica difícil. Faz de conta que tem sol lá fora e Querência são a vítima comovendo o assassino”

Clarah Averbuck
Escritora – http://adioslounge.blogspot.com
13/09/2007

“… hoje teve mais uma apresentação de “Querência”, com nelson peres, um ator que sempre quase ou me faz chorar mesmo. esse homem é inacreditável. o texto é uma coisa, fiquei impressionada, todos os meus sentidos funcionavam vendo aquela peça. só ele lá, sendo tudo, e o fábio brum tocando. o fábio brum tocando eu nem comento. outro homem inacreditável. guitarrista com sangue quente e pulsante, tem que ver. o texto de cornélio pires é uma coisa. eu marejada pensava que encontrei mais um com muito coração. tem uma parte do texto que eu nem ouso tentar reproduzir, preciso pedir para o nelsinho, não ouso tentar reproduzir sob o risco de parecer piegas. terminou a peça semana passada e eu queria ter mais mãos para aplaudir, mais braços para envolver o nelsinho e mais dinheiro para comprar todos os ingressos e distribuir por aí. eu sentadinha no cantinho, eu e uns poucos, eu pensando porra, quem é que tem coragem de perder isso? tocou fundo, tocou horrores. eu quero ver de novo. irei. todo mundo chama as peças de teatro por aí de espetáculo, mas essa dá pra encher a boca para falar “espetáculo” mesmo. então o espetáculo acontece no teatro fábrica, todas as quartas-feiras do mês de setembro, às 21h…”.

Ademir Assunção
Poeta e jornalista – http://zonabranca.blog.uol.com.br
09/08/2007

“Hoje tem Nelson Peres no teatro Fábrica. Não é simplesmente uma peça. É um show de interpretação. Há momentos em que parece teatro nô. A cena, por exemplo, em que um dos personagens cavalga no encalço do malfeitor que acabou com a vida da sua noiva. Mas parece um teatro nô áspero, criado na poeira do sertão. E outra cena, Nelson com um chapéu na cabeça e um poncho sobre os ombros, girando com dois facões nas mãos, me remeteu ao filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha), quando Corisco (Othon Bastos) é alvejado por Antonio das Mortes. Genial. Nelsinho só não rouba a cena porque ele é o único ator no palco. Como poderia roubar a cena dele mesmo? Imperdível”.

Mário Bortolotto
Dramaturgo, escritor, ator, diretor – http://atirenodramaturgo.zip.net
02/08/2007

“Hoje estréia a peça do meu amigo Nelsinho Peres. É o tipo de espetáculo que eu não iria, de jeito nenhum. Não é uma temática que me atrai. Sou um cara urbano demais pra me interessar por qualquer história do universo caipira. Só fui na primeira vez por causa do Nelsinho e valeu a pena pra caralho. O homem é um animal em cena, quebra tudo. Depois de dois minutos de espetáculo eu já tinha embarcado geral e tava cagando pra temática. E nessa temporada ainda tem o bônus da presença de Fábio Brum tocando ao vivo. Eu diria que é imperdível”

Fabiana Vajman
Atriz – http://proatividade.zip.net
09/08/2007

“Lindo, lindo e triste e divinamente atuado pelo meu grande amigo Nelson Peres. quando vi pela primeira vez, Pedrão ainda estava na barriga. ainda hoje me emociona…ou ver uma peça que gosto, é o “Querência”, do amigo Nelson Peres, que já vi um milhão de vezes, apesar de me deixar triste pra caralho, foi a melhor coisa que assisti nos últimos meses. Vi a estréia, quinta feira passada”

Walter Figueiredo (Batata)
Ator – http://adonahernia.blogspot.com
09/08/2007

“Na verdade a peça estreou semana passada. Não deu para ir. Vou hoje com certeza!Ainda mais que o Fábio Brum tá junto. Sou louco para fazer algum curso com o Nelsinho. Ele é um dos melhores atores que eu ja ví em cena. Já pude vê-lo fazendo um monólogo e atuando em várias outras peças com o Cemitério de Automóveis. Sempre que posso presenciar o Nelson trabalhando observo tudo. Fico Ligado. Presto atenção em tudo que ele faz nos ensaios. É desta forma que venho aprendendo a fazer teatro – observando gente de muito talento fazer. Foi uma honra dividir o palco com ele na Mostra. Valeu Marião! É isto que você e o Cemitério proporcionam! Foi através do Cemitério que conheci o Nelsinho. O Nelsinho é um desses caras que te ensinam prá cacete apenas encenando. Um dos atores mais tranquilos e concentrados com quem já trabalhei. Ótimo na comédia, Fodão no Drama. Sou louco pra fazer um curso com o meu amigo Nelsinho… ou quem sabe um dia, uma peça”.

Fernanda Bello
http://cabarepsicodelico.blogspot.com/
2007

Entramos, sentamos, causamos desligando os celulares histéricos. Silêncio.Num canto, um homem, um violão. Outro homem. Noutro canto. Facas. Chicote. Manta. Terço. Chapéu. Lenço florido.A vibração das cordas do violão interrompem o silêncio. O som chama o ator ao palco.Ele aparece. E de dentro dele saem outros eles. Outros vários eles. O menino, o Avô. O Lobisomem, a Mula. O adestrador de cavalos, o sertanejo arrogante e esbanjador, o Pai, a Mãe e a menina, Vicentina. Vicentina rouba o coração do adestrador, e junto rouba o coração da platéia. Sem precisar sequer mostrar seu rosto. Apenas nas palavras do fabuloso ator. Melhor ainda, nas palavras do texto nas expressões do ator, interpretando o amansador dos potros chucros narrando como é belo seu amor por Vicentina.Ela vem assim, suave, constituída por nada mais que um lenço florido e um chicote dobrado. Ela ganha vida e sentimento nas mãos daquele ser humano maravilhoso presente em cena.Ausente de si, mas cheio de personagens e sentimentos.Uma surpresa na história muda seu rumo completamente. As emoções das personagens no Nelson se confundem com as emoções da platéia. Nós choramos cada vez que ele engole seco e prende os lábios para conter o próprio choro. Cabra macho não derrama lágrimas. Por que ele chora? Se você não assistiu a peça não vou tirar o encanto da história. Até porque o encanto pertence somente a Nelson.Nós, platéia, acompanhamos a busca do chucro amansador de potros a galope. Viajamos por todo Brasil.Sofremos sua agonia e ansiedade juntos. Empunhamos seu facão com todas as nossas mãos. Nos unimos em mãos e respiração. Respiramos silenciosamente em coro. Sentimos o sangue e o ódio do traidor.De tão bem ambientados que fomos por Nelson e pelo texto, sentimos o silêncio, o cheiro do mato, o casebre mal iluminado, o cheiro da pinga, talvez até um grilo ou outro começando a cantar lá fora.A luz enfraquece gradativamente, a música vai se perdendo. Recobramos a realidade e os sentidos. Ou perdemos os sentidos definitivamente, não sei ao certo. A luz acende. Aparece um homem com o violão encostado aplaudindo o outro homem no centro do palco. Em pé a platéia faz questão de chover aplausos. Uma nostalgia, misturada com uma alegria, misturada com uma tristeza, misturada com todos os sentimentos de fim da infância nos invade. Dá vontade de ligar pra mãe.Vontade maior dá de ser amada, assim como foi Vicentina por seu repentista de palavras simples e olhar humilde, ele, o amansador de cavalos mais querido.Meu coração lembra e chora. Queria eu virar tinta preta, grafite ou carvão e viver dentro desse lindo texto que é “Querência”.

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