Por Pierre Masato

Estreou na II Mostra Cemitério de Automóveis em 2002. Um dos primeiros trabalhos que eu fiz com o grupo. Se não me engano, foram 26 peças apresentadas num espaço de 3 meses. Quando encenada na IV Mostra Cemitério de Automóveis (Centro Cultural São Paulo – 2007), o meu irmão Pierre Masato assistiu e escreveu sobre o que viu. Prefiro usar as suas palavras:

“Conheci o trabalho do Marçal Aquino através do filme Matadores. Gostei muito do roteiro e da direção do Beto Brant. Passei a procurar livros do autor daquela estória na fronteira com personagens fascinantes. O primeiro que achei foi o Miss Danúbio, um livro de contos fininho lançado pela Scritta. Desculpe o clichê, mas foi um murro na boca do estomago. Releio sempre esse livro e gosto de emprestar para os amigos. Depois de mais alguns livros, passei a ver no Marçal a continuação das coisas que eu gosto na literatura do Rubem Fonseca.
Ao assistir a adaptação dos contos com o nome Faroestes encontrei aquele clima de quebrada que me é familiar. Biroscas de bairro e tretas da bandidagem fazem parte da minha memória de adolescência. É um mundo que não inspira lirismo, dirão alguns que não conhecem a vida na periferia das grandes cidades. Pois é da bruta vivência desses habitantes da exclusão que o escritor nos apresenta sua visão extremamente lírica.
Redundância falar em fidelidade ao original quando se trata de uma adaptação do Mário Bortolotto, pode-se dizer que isso pra ele é uma obsessão. Os detalhes cênicos são simples e eficazes, a iluminação é uma das coisas que eu mais gosto nos espetáculos do Cemitério de Automóveis (e não havia dito isso antes, uma grande falha). Na trilha sonora o bluesman surpreende (não a mim, que fique claro) com Chico Buarque e um João Bosco perfeitos. Não poderia deixar de falar de Jukebox do Genial La Carne, música de quebrada melhor não existe. Cabe ao Flavinho Vajman o clima cinematográfico de algumas cenas da peça, o Homem ataca em vários instrumentos e eu senti ecos de Sergio Leone na minha cachola. No elenco os absurdamente bons André Cecato e Nelson Peres são destaque. Eu tinha visto o Colazzi na outra Mostra, mas aqui ele arrebenta.
Venha para esse mundo à parte, dos camaradas nas mesas de metal, das mulheres batalhando, dos segredos inconfessáveis; é imperdível o retrato que o Marçal faz desse universo. Pra mim um retorno aos tempos de adolescente, tão bom como uma cerva gelada na Padaria do Português”.

(Pierre Massato)

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