Do Autor | Márcio Américo

A produção cultural brasileira foi muito rica nos anos oitenta. Enquanto Brasília se mobilizava para a troca de poder, jovens de todo o país moviam-se em direção a algo maior: liberdade! Atores, desenhistas, videomakers, grafiteiros, roqueiros, poetas, freaks, pessoas com algo a dizer estavam pelas ruas, de óculos escuros, incendiando catedrais. Um tempo em que a palavra “novo” tinha outro sentido, era um Brasil recheado de jovens alucinados, chapados, bêbados de idéias e ideais perambulando e lambuzando a calçada da fama com seus grafites profanos. Eu estava lá e “vi os melhores cérebros da minha geração” entrando pra história ou numa banheira suicida no Paraná. E agora, trinta anos depois, o que aconteceu com aquele moleque de óculos escuros, cheio de planos e espinhas? Pra onde foi aquele LP raro do Greatfull Dead? Onde estão os gibis do Ken Parker? Os jovens estão por aí, alguns ainda resistindo aos balanços indigestos desta nau chamada século vinte e um, lutando contra o anacronismo, mas mesmo assim caminhando, com os mesmos planos, os mesmos ideais, o mesmo tesão. Talvez aquele moleque de bamba não tenha de fato envelhecido, está apenas aguardando o momento certo para finalmente tirar os óculos escuros.

(Márcio Américo)

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