Clipping e Depoimentos

O Capote

Teatro do Cemitério de Automóveis - Ilustrada Escolhe - Folha de São Paulo (2003)

“A verdadeira natureza da miséria humana

Na sexta fui ver “O Capote” do meu amigo Nelson Peres. O que poderia dizer? É o Nelsinho mutifacetado. Em sua brilhante atuação, humaniza o personagem e faz um espetáculo que aquece a gente. Bravo”.
(Nicolas Lee)

” Volto à Maquinaria, mas dessa vez não é pra tomar cerveja e ouvir algumas músicas. O texto agora é do Gógol (autor russo, muito anterior ao Google, para aqueles que esperam a piada fácil): O Capote, clássico que já tinha conferido num infantil, feito com bonecos. Desta primeira montagem, guardo na lembrança uma grande quantidade de personagens que permeiam a realidade de Akaki Akakievitch, protagonista da história. Por isso, fui conferir essa nova releitura, que tem Nelson Peres no papel do protagonista e de todos os outros personagens do texto original.

O capote é o objeto de desejo. Akaki remenda seu casaco por muitos anos, até que seu alfaiate se recusa a continuar fazendo remendos e sugere que Akaki compre um capote novo, feito sob medida. O desejo se instala na cabeça e ele passará meses com apertos financeiros pra conseguir a grana prum novo capote. Mais ou menos como a gente vai fazer pra conseguir pagar o novo sistema de publicação da Bacante, mas essa é outra história.

Nelson Peres está na sala, de branco, sem capote, só com luzes e nada mais. O monólogo, feito a partir de um texto com muitos diálogos e algo de comentários literários e oniscientes, pede sutilezas na atuação que Nelson soube pesquisar. Akaki está lá, em corpo, voz e fragilidade. A mulher do alfaiate, apresentada somente pela voz e pela imagem dos pés ao lado de uma lâmpada fraca, também é muito sugestiva. Vemos ali todas as mulheres cujas vozes estão presentes no cotidiano de seus maridos, comparsas e amantes; mas que nunca chegamos a conhecer.

A dramaturgia de Gógol foi adaptada ao monólogo, no entanto, houve alguma aceleração estranha do texto. Na procura de mais agilidade entre as cenas, perderam-se silêncios preciosos. Talvez o desafio de fazer vários personagens, ou talvez a própria ausência de objetos de cena e outros recursos de caracterização, tenha levado pra esse caminho. Em contrapartida, outras opções arriscadas são acertos que devem ser lembrados dessa montagem extraordinariamente simples, como o uso e a interação com lâmpadas incandescentes (gerando a idéia de lugares escuros, lugares de imaginação) e a ausência do objeto central do texto, o capote (sugerindo que o capote pode ser qualquer coisa, até o sistema de atualização de um site).

A proporção ator/platéia estava em um pra cinco. Se todos os personagems que Nelson Peres interpretou ganhassem vida, fariam maior número que a platéia. Revi um esforço do ator em fazer daquele momento de encontro, único. Teatro feito sem o conforto do público certo. Em que cada apresentação é uma guerra, batalha de um homem só.

Pelo menos um personagem por pessoa da platéia

Ps: Juro que nunca mais uso qualquer trecho de música do Engenheiros do Havaí como destaque, nem como parte do texto. Sob risco de furar meus olhos e ouvidos”.
(Fabrício Muriana /Revista Bacante)

O Capote
Eu tava aqui pensando no que escrever sobre “O Capote”, que tem seu penúltimo espetáculo hoje, no Maquinaria.
Mas muita gente melhor que eu já escreveu o que havia pra ser escrito. É um puta texto, uma belíssima montagem, com uma direção impecável do Marquinhos Toledo e com um ator fodão que é também uma pessoa incrível, apesar de São Paulino.
Eu já havia visto antes, há alguns anos atrás e vi duas vezes nessa temporada. Cada vez parece a primeira.
E, não sei se o Nelsinho concorda comigo, mas o Maquinaria me parece perfeito pro espetáculo.
(Fabiana Vajman)

Gogol

Qualquer antologia de contos que se preze, antigamente se dizia Grandes Contos Universais, inclui O Capote. Li a versão inglesa, The Overcoat, e lembro até hoje da impressão que tive: aquele era o único mundo. Se você leu o conto, imagine o Akáki Akákievitch em carne e osso.
(Douglas Kim)

Do meu amigo, Mário Bortolotto

 E O NELSINHO NÃO VAI AO LANÇAMENTO

Porque ele vai estar em cena. Dando vida ao personagem Akáki Akákievitch do Gogol na peça “O Capote“. Eu me recuso a repetir aqui que é uma interpretação genial do meu amigo. Me recuso.

 GOGOL POR NELSINHO

Não é pesquisa de Internet. Gogol é um escritor russo. Brincadeira, tá? Eu sei que a rapaziada que frequente esse blog tá “Nelsinho Peres” de saber quem é Gogol. Aliás, falando em Nelsinho Peres, é justamente ele (esse ator monumental) que interpreta “O Capote“, texto do Gogol. Eu não vou dizer que é brilhante, porque eu já disse várias vezes por aqui. Aí vocês me perguntam: “Então porque ninguém fala nada do Nelson na imprensa?” E eu respondo: “Porque a imprensa costuma ser bem desinformada.”

Então corre lá, Brother. É só uma vez por semana. E é inesquecível.

 

E TAVA QUASE ESQUECENDO DE FALAR DO NELSINHO

Se tem alguém que precisa e merece divulgação, esse cara é o meu amigo Nelsinho Peres. Esse cara não é só um ator. É um monstro. Se vocês não acreditam, arrisquem e baixem lá na Maquinaria hoje pra assistir “O Capote” espetáculo solo com o Cara em texto deGogol. Depois me procurem e me paguem uma cerveja. Eu tava certo, não tava?

E ainda tem o genial Nelsinho Peres estreando o seu monólogo “O Capote” na Maquinaria. Essa peça eu gosto ainda mais do que o outro espetáculo dele, o “Querência” que eu também acho genial.Nelsinho tá impecável.

“Parece que é. Ouvi dizer que é. Então vê se não vacila. Desde a estréia que eu tô falando que esse espetáculo é du caralho. Minha caixa de reclamações tá vazia”.

(Mário Bortolotto)

(set 2007 – http://atirenodramaturgo.zi.net)

outra Aula de Atuação

Semana passada fui ao Maquinaria ver o meu Irmão Nelson Peres em cena. O texto do russo N. Gogol é uma análise profunda da sociedade soviética, e que por incrível que pareça, continua atual e pertinente pros dias de hoje, ainda mais aqui no bananão.
Impossível fugir do clichê ao falar do Soberbo trabalho da direção e da interpretação do Nelsinho. A carpintaria dos pequenos detalhes, a iluminação pontuando as passagens de cena, a delicada composição nas várias vozes do texto são levadas com a Maestria que só um Ator da estatura do Nelson é capaz. Ah, esse Japa se desmancha em elogios porque o cara é amigo dele! Dirão os infiéis, homens de pouca fé.
Nelson Peres em cena me inspira uma violenta solidariedade com o ator. O teatro necessita de uma coragem e generosidade dos atores que é difícil encontrar na maioria. No monólogo essa entrega do ator é muito mais perceptível, e só os Grandes Artistas inspiram solidariedade em cena.

(Pierre Masato)

“Nevava em Petersburgo”

Nelsinho Peres é Ator. Carregou nas costas uma gama de personagens e toda neve de Petersburgo. Segurar nas unhas um monólogo não é coisa fácil, ainda mais quando se faz isso numa “Rússia” desolada e ingrata. Akáki Akákievitch traz à tona tudo o que os intelectuais discutem nos seus gabinetes em frente à lareira fumando charutos e levantando suas caras sobrancelhas. A direção do espetáculo é inquestionável, são os olhos do ator no escuro, são suas mãos tateando a parca luz das lâmpadas dispostas no palco e que cumprem todo o seu papel de cenário. Confesso, nada li de Nicolai Vassílievitch Gogol, mas isso nada comprometeu minha emoção ao sentir Nelsinho Peres em cena.

(Luana Vignon)

O Nelsinho traduz em cena tudo que eu disse no post abaixo – e muito mais – unindo técnica e emoção de forma brilhante. E hoje é o último dia de O Capote, outro petardo comovente do cara, que assisti em 2003 e não vou conseguir ver de novo. Uma merda.

 (Marcelo Montenegro)

http://marcelomontenegro.blog.uol.com.br/

 

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